Amar, ao longe

By segunda-feira, agosto 29, 2016






"A saudade só pode ser isto. Sermos obrigados a viver de forma incompleta tudo aquilo que antes vivemos completos."

Quando o Diogo e a Raquel começaram a namorar, elaboraram uma lista de coisas inesquecíveis a fazer um pelo outro. Nessa lista, figurava que ele lhe escreveria um livro e que ela lhe pintaria um quadro. Não esperavam era que a vida lhes trocasse as voltas, e que ela fosse viver para o outro canto do mundo. No entanto, apesar de toda a gente lhes dizer que não iria resultar, que a distância estraga as relações, e todos esses pretextos dos “treinadores de bancada”, eles recusaram-se a aceitar. Agarraram-se com unhas e dentes ao único argumento válido para eles: o que sentiam. Porque pior do que passarem por isto, era sobreviverem separados. 

Se a Raquel fez escala durante 18 horas em Amesterdão, então o Diogo esteve lá. Se teve férias durante uns dias, então foi ela que veio a Lisboa. E a empresa do Diogo, percebeu que a prenda certa era uma viagem para ele a visitar. Os dias passaram e eles não deixaram de arranjar formas de voltar a estar juntos. Fosse por uns dias, umas horas ou até um momento no Skype. Um quadro pintado e um livro escrito depois, não resisti a partilhar um excerto do que ele lhe escreveu porque esta é, para mim, uma história de amor dos nossos tempos. De um amor ao longe mas sem barreiras, egoísmos, individualismos ou exigências, como de tantos ao perto. Sem sincronias cómodas e confortáveis. Deixem-se inspirar e não se permitam, nunca, ficar por ficar, mesmo que para isso precisem de vos deixar ir.


"Estive a contar e foram mais de cem os dias em que te amei. Quem diz que são poucos não faz ideia do que é o amor. Eu amei-te tanto quanto te pude amar, e amei amar-te quando te pude amar. E amei-te muito. É que, sabes, por cada dia eu amei-te muitas vezes. Assim deve ser o amor. Assim devo ser eu. Ou te amo muitas vezes ou não te amo vez nenhuma. E, se te amo, amo-te quantas vezes puder. Todas as vezes que puder. Por isso, amei-te muitas vezes. E amei amar-te de todas as vezes. Amei momentos teus, bocadinhos teus, gestos teus, pormenores teus. Todos os dias, mais de cem dias. Amei-te.

Estive a contar e foram mais de cem as vezes que disse que te amo. Quem diz que são muitas não faz ideia do que é o amor. Eu disse tantas vezes que te amo que mal me lembro de dizer que te amo. E poucas vezes precisei de dizer que te amo para que soubesses que te amo. Quando te disse pela primeira vez que te amo já muitas vezes tinha dito que te amo. Como da vez que, dizendo que te amo, te convidei para ires comigo ao Porto. Ou da vez que, dizendo que te amo, te quis levar à Serra da Estrela. Ou ainda da noite em minha casa que, dizendo que te amo, disse ser a melhor da minha vida. Disse que te amo quando te toquei, disse que te amo quando te beijei, disse que te amo quando no teu colo me deitei. Repeti que te amo até já não ser preciso dizer que te amo. Mas amo.



Estive a contar e serão mais de cem os anos em que te vou amar. Quem diz que são demasiados não faz ideia do que é o amor. Eu amei-te tantas vezes que me vão faltar os dias para te amar mais vezes. Eu disse tanto que te amo que me vão faltar os anos para dizer que te amo. É que, sabes, eu vou amar-te mais um dia por cada dia que te amei, só de me lembrar porque te amei. É que, sabes, eu vou dizer que te amo por cada vez que disse que te amo, sempre que recordar porque disse que te amo. E assim serão mais cem dias, mais cem vezes, mais cem anos. E, olha, amo-te. "

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