A ilógica do amor-ódio

By quinta-feira, julho 31, 2014 , , , , , ,

Nunca pensei sentir-te falta. Houve momentos em que me enjoaste. Em que a língua educada francesa me fez comichões e em que a baguette debaixo dos braços ou a falta de higiene no metro me chocou. Em que a vossa pontualidade e manias me enervaram. Em que as mulheres tão bem vestidas me intimidaram e me fizeram sentir um traste. Houve momentos, Paris, em que tive a certeza que não te queria voltar a ver. Quis o destino que durante nove meses te visitasse 7 vezes, e prolongadamente. Mas sempre que a ti voltava, e ao conhecer-te quase tão bem como Lisboa, dizia sempre para mim mesma que assim que esta aventura terminasse só te quereria ver pelas costas. Como me enganei, cidade romântica onde me fizeste perceber ainda mais profundamente como sou apaixonada por ele. Cidade onde deixei post-its, cadeados e flores secas. Onde engordei e provei foie gras, enfardei croissants em brunches de sábado e domingo deliciosos... Agora, passado um mês de te deixar definitivamente, sinto-te falta. Somos assim, estúpidos. Já dizia a música que só estamos bem onde não estamos. Mas não sei explicar. É como se me tivesse viciado por ti. Sinto uma vontade ridícula de voltar. Posso ter o meu amor de volta, mas ficou a faltar o nosso cenário idílico. As pontes sobre o Sena e os pains aux chocolat de manhã. Sinto falta do cheiro a cogumelos frescos, e das esplanadas onde quer que haja um buraco ou uma esquina. E do vinho (lento, caro e demorado). Não dá para explicar e não é lógico mas sinto mesmo saudades tuas, Paris.
Ring: Tous

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2 comentários

  1. Sinto isso por Londres.Mas só amor, nunca ódio.Se pudesse ía para lá morar e não me importava de nunca regressar.Confesso que paris, cidade que ja visitei algumas vezes, não me encanta...acho-a linda mas não me toca fundo na "ialma" :)

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  2. Aaaai ainda vou aí viver :P ou TRABALHAR!

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