Resumo das duas semanas do meu desaparecimento #1

By domingo, maio 19, 2013 , , , , , , , , ,


Olá a todos! Como vos expliquei no post anterior andei novamente desaparecida porque comecei um novo trabalho (embora seja um regresso ao antigo noutro formato) que me impediu de conseguir actualizar-vos como é meu costume. Faz tudo parte de um processo de habituação e por isso aqui estou eu, a retomar as andanças da escrita. Daqui para a frente, puxem-me as orelhas e dêem-me na cabeça, porque tenho de me organizar. Afinal de contas, ser boa num lado, não implica deixar de ser noutro, right? Além disso, vocês são como as amigas que acompanham os nossos vários relacionamentos da vida, que continuam sempre lá.


Já vos falei aqui, várias vezes até, da minha mãe e da doçura que ela traz e acrescenta aos meus dias. Da paciência que tem para me aturar. Foi por isso que no passado Dia da Mãe resolvi oferecer-lhe um novo perfume suíço: Victoria, da Victorinox Swiss ArmyComprei-o não só porque me tinham dito ser muito doce e bom mas também por ser floral. Lembram-se de vos ter contado que a minha mãe adora flores e eu nem tanto? Foi a forma que arranjei para brincar com o assunto e de lhe dizer que cada vez mais começo a gostar (xiu!). Além disso, online permitem-nos criar um bouquet e enviar à nossa mãe, por correio ou por e-mail.


Claro que juntei uma carta pirosa (podem ler em baixo).  A Eau de Toilette Victorinox Swiss Army Victoria é exactamente como a minha mãe, natural, delicada e envolve rosa da Bulgária, Violeta e Lírio do Vale. E vocês, o que ofereceram às vossas mães? Nunca é tarde para me contarem...

Sabes aquele poema que tu adoras, mãe?


No mais fundo de ti, 
eu sei que traí, mãe 

Tudo porque já não sou 

o retrato adormecido 


no fundo dos teus olhos. 

Tudo porque tu ignoras 
que há leitos onde o frio não se demora 
e noites rumorosas de águas matinais. 

Por isso, às vezes, as palavras que te digo 
são duras, mãe
e o nosso amor é infeliz. 

Tudo porque perdi as rosas brancas 
que apertava junto ao coração 
no retrato da moldura. 
Se soubesses como ainda amo as rosas, 
talvez não enchesses as horas de pesadelos. 

Mas tu esqueceste muita coisa; 
esqueceste que as minhas pernas cresceram, 
que todo o meu corpo cresceu, 
e até o meu coração 
ficou enorme, mãe

Olha — queres ouvir-me? — 
às vezes ainda sou o menino 
que adormeceu nos teus olhos; 
ainda aperto contra o coração 
rosas tão brancas 
como as que tens na moldura; 

ainda oiço a tua voz: 
          Era uma vez uma princesa 
          no meio de um laranjal... 
Mas — tu sabes — a noite é enorme, 
e todo o meu corpo cresceu. 
Eu saí da moldura, 
dei às aves os meus olhos a beber, 

Não me esqueci de nada, mãe
Guardo a tua voz dentro de mim. 
E deixo-te as rosas. 
Boa noite. Eu vou com as aves. 


Se entrasse em competição, como no anúncio da Vodafone, nunca iria conseguir explicar porque é que és tu a melhor mãe do mundo. Aos meus olhos e do Pedro, és e ponto final parágrafo. Por diferentes motivos. Não são todas as mães que dedicam uma vida aos filhos e à família como tu dedicaste. Todas as homenagens que te façamos vão sempre esquecer e apagar metade das coisas, dos sorrisos e dos mimos que nos dás todos os dias, das horas que passaste a contar-nos histórias, a tranquilizar-nos, a dormir ao nosso lado quando estávamos doentes. Como professora  que és, o lado maternal mais do que obrigação é uma profissão e um modo de vida. Sempre nos fizeste as vontades todas e, ao contrário de muita a gente, abriste tantas vezes mão do teu conforto por nós. Sempre tivemos tudo mesmo quando havia pouco. Sempre nos ensinaste a sermos mais e melhores e sobretudo, a sermos bons. A acreditar nos outros. Sempre foi nos teus braços que chorámos (tantas vezes sem razão) e que rimos. O sorriso mais cheio e genuíno que eu já vi. Dizem que o meu sorriso é bonito e nessas alturas sorrio, porque sei que é reflexo do teu.



Por vezes ainda oiço a tua voz doce, antes de adormecer. Fecho os olhos e sinto a tua respiração, o teu perfume, a embalar e a aconchegar-me nos lençóis. Tudo começava como nas histórias dos livros: Era uma vez. Talvez por isso, ainda conte assim as minhas histórias, atribuindo-lhe feitos inimagináveis, acrescentando sal, açúcar e muita pimenta aos episódios irrelevantes da minha vida. Era uma vez uma princesa, dizias-me na tua voz suave, que nunca perdeste. És a responsável por gostar tanto de ler, de escrever mas, essencialmente, de sonhar. Enquanto agarrava o meu urso Mofli e não queria largar a tua mão macia, deliciavas-te a encher o meu mundo de fadas e princesas. Misturavas a Fada Oriana, o Principezinho e a Menina do Mar. E um dia, quando li esses livros, li-os com a tua voz. E hoje, se começasse uma história, seria assim: “Era uma vez, a melhor mãe do mundo. Bem, ela não é uma mãe qualquer. É daquelas especiais e inspiradoras, mas eu nunca lho disse”. 


P.S Claro que nesse dia, tive direito a um bolo de chocolate de creme de brigadeiro. Como se razões bastassem, a minha mãe não perde uma oportunidade de marcar pontos.

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