Anna Karenina

By quinta-feira, janeiro 17, 2013 , , , , , ,

 

O pano abre. O clássico de Tolstoi entra em cena. O pano corre e mostra um teatro da vida que nos provoca, enquanto espectadores, um impressionismo visual. Os cenários dourados e compostos por cores fortes, descobrem um guarda-roupa elaborado que se sustenta no jogo de luzes, espelhos e sombras, também eles parte da história. Joe Wright, conhecido dos filmes Orgulho e Preconceito e Expiação, vem mostrar que continua no seu melhor, sempre acompanhado pela sua musa, Keira Knightley.


Este filme traz a exaltação do amor enquanto lhe junta a incompatibilidade que muitas vezes lhe é fadada. É interessante que aquilo que mais gostei tenha sido precisamente aquilo que foi um acaso, os cenários e o seu enquadramento num teatro. De facto, as filmagens deveriam ter sido nas grandiosas paisagens a que Wright já nos habituou. Mas os cortes no orçamento motivaram um quase cancelamento apenas colmatado nesta ausência de cenários extravagantes e com a simplicidade. E ainda bem! Shakespeare falava da vida como palco, e nesta obra é esta a premissa base, a vida como teatro. Constrói-se assim uma metáfora para o quotidiano da aristocracia russa do séc. XIX, palco de um jogo de aparências e de julgamento moral, onde a elite se junta para ver, ser vista e para censurar.


Por outro lado, para as meninas há sempre o conde Vronsky que faz qualquer uma ficar babada (se bem que prefiro a sua versão rasta no filme Selvagens do Oliver Stone!) Mas não perdendo o norte, adorei o momento da valsa, no salão, intensa, explorada em movimentos ardentes quando toda a gente à sua volta parece parar. 


Deslumbrante até ao último momento, Knightley é uma categórica Karenina, sedutora, delirante e arriscaria dizer bipolar já que passa por uma mulher indefesa e sensivelmente angustiada a uma mulher corajosa e sem medo das consequências da traição, egoísta nos sentimentos.  Uma Anna complexa e contraditória que revisita o dilema sobre a protagonista: será ela uma vítima do seu posicionamento numa sociedade patriarcal, ou uma mulher neurótica e narcisista? Mas é por este motivo que me segue a leitura do livro. Talvez o filme seja um verdadeiro isco para a obra clássica. E fica a deixa para aplaudir de pé.

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7 comentários

  1. Quando soube da existência desse filme, no Verão, comecei logo a ler o livro pois queria primeiro lê-lo e depois comparar. Muitas vezes me desiludi mas com este tinha a esperança que tal não acontecesse.
    Confesso que ainda não o terminei porque estou a adorá-lo ao mesmo tempo que quero acabar rapidamente porque estou ansiosa para ver o filme que tenho a certeza de ser fantástico.

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  2. Eu também vi este filme e achei que estava muito bem conseguido! A Keira, mais uma vez estava maravilhosa! ;)

    http://agirlsdream-blog.blogspot.pt/

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  3. Seja pelos cenarios, pela opulência do guarda-roupa, pela qualidade dos actores ou mesmo só pelo argumento espectacular, é mesmo um filme a não perder.
    Adorei
    Rita*
    www.malasecupcakes.blogspot.com

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  4. Estou super curiosa para ver este filme! Ainda por cima tem uma das minhas actrizes preferidas :)

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  5. Sinceramente nao gostei, esperava mais. Adorei o livro e acho que o filme não transmite o mesmo... a história desenvolve-se de um modo demasiado rápido e preferiria que fosse um filme clássico e não tão teatral... e acho a Keira deslumbrante mas como actriz não me fascina...

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  6. Ainda não vi mas quero ver. Já ouvi critias positivas e negativas, vamos lá ver se gosto :P

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