De olhos no mesmo caminho

By segunda-feira, outubro 08, 2012 , , , , ,


Ontem, parei por dois minutos a olhar um casal de "velhinhos" que dava o seu passeio de Domingo. Atravessaram à minha frente na passadeira e os olhos fixos no chão mostravam o seu cuidado com percalços, comuns de encontrar nas ruelas portuguesas. No seu ritmo lento e cruzado, sincronizado, mantinham as mãos apertadinhas, uma com a outra, orgulhosos daquele amor e a não querer quebrar uma promessa de tantos anos. Outro sentimento não seria de esperar. Quantos casais aguentam tanto tempo lado a lado? Sei bem que as coisas mudaram, que há coisas que não são toleráveis, mas será que não deveria existir um pouco mais nas relações? É tudo demasiado leve e volátil. O problema das relações está muitas vezes na falta de olharem na mesma direcção, como o livro do Príncipezinho descreve. Menos nos olhos e mais em frente, em sintonia. Foi isso que vi naquele casal. Que certamente preferia dar a mão a alguém mais magro, menos curvado ou mais vivo. Porém, as escolhas que se fazem, o amor que se constrói é mais fundo que tudo o resto. 


Tornou-se tudo muito leve, muito light. Há uma grande paixão, até vir outra e outra e outra. E, num encolher de ombros, troca-se de namorado e descarta-se a construção de qualquer coisa que não chegou a ser nada. Falta profundidade na entrega, no comprometimento com o compromisso, perdoem-me a redundância. Mas a culpa não é só nossa, é também da sociedade que nos tira tudo e nos faz perder os vínculos e as crenças. Que nos arranca o chão e a fé. Agarrem-se aos que amam, mais. Cultivem esse amor. E olhem para o futuro juntos, porque só com alguém ao nosso lado o que quer que nos esteja reservado fará sentido.

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6 comentários

  1. Eu acredito!!! Posso dizer que passei por uma pequena crise em que pus a hipótese de terminar a minha relação de mais de 2 anos(eu sei que é pouco tempo mas sinto desde o início que ele é quem eu quero para acordar diariamente a meu lado. entretanto li um livro que adoro que é de Paulo Coelho e se chama "O Zahir" e um trecho do livro fala que quando amamos o outro amamos também os seus defeitos, as sua virtudes e principalmente a sua liberdade.Tive que me repensar a mim própria mas valeu a pena. Agora sei que não posso exigir que ele me ame exactamente da forma que eu quero. e amo a forma como ele me ama. Beijinhos

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  2. Tão giro :)
    E já não se fazem amores como antigamente...

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  3. Infelizmente os amores já não são o que eram,bjinhos

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  4. Talvez sejamos mais self-center e cada vez mais medrosos. Temos medo de sofrer e de nos entregarmos totalmente e esse medo corrói a vontade de continuar a lutar quando o relacionamento já não é perfeito e ideal. Acho que antigamente havia mais entrega (para o melhor e para o pior).

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  5. Para mim a grande diferença esta que antigamente não era qualquer dificuldade que separava um casal, lutavam e tentavam ultrapassar tudo sem desistir logo à primeira. Hoje em dia qualquer coisinha serve para uma pessoa se separar. Não há sacrificios nem a mesma tolerância que antigamente. Claro que há casais que tem motivos sérios para se separar mas hoje em dia é "tudo" tão banal. Não sou casada nem nunca fui mas espero que o meu futuro marido lute a meu lado para chegarmos a idosos juntos e com uma grande história de amor para contar. :)

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