Entrevista a Marta Gil

By domingo, agosto 12, 2012 , , , , , , , , ,



Prática e despachada, assim é a rapariga que um dia deu voz ao Diário de Sofia e que encarnou os dilemas de muitas adolescentes. De sorriso e riso fácil, esta mulher de leis na cabeça e palco no coração e nos pés, confessa ainda muitas vezes ser chamada pelo nome da personagem. Marta Gil é hoje uma mulher de sucesso, cheia de projectos feitos e por fazer, mas isso podem ler na entrevista que lhe fiz, num fim de tarde na Av. da Liberdade. As fotografias são do Diogo Luís.

1. Em primeiro lugar, fala-me um pouco do teu percurso.
Comecei, tinha dez anos, quando fui ao Teatro Politeama fazer a minha primeira audição porque gostava imenso de cantar e de representar. Era aquela miúda na escola que fazia as peças de teatro todas e, então, a minha mãe perguntou-me se eu queria fazer uma audição e eu disse que sim. Fui fazer e fiquei. E foi aí que comecei todo o meu percurso. 

2. E conseguiste conciliar bem?
Sim, tanto que me licenciei ao mesmo tempo que já estava a gravar "O Diário de Sofia" e já tinha gravado Morangos, anteriormente. As coisas foram acontecendo. Nunca foi assim nada muito definido. 

3. E, portanto, na tua passagem para a televisão não houve assim nenhum marco?
O  meu primeiro contacto com televisão a gravar alguma coisa foi quando estava no Politeama a fazer "Jasmim, O Sonho de Cinema". Fizemos a série na SIC, tinha eu para aí doze anos.

4. E a partir daí nunca mais paraste?
Sim, depois a partir daí passei pelos Morangos, pelo cinema com "A Falha” do João Mário Grilo, depois "O Diário de Sofia", e depois aí sim Canal Panda e Sic K.

5. O que é que até aqui mais te concretizou?
Eu digo sempre a toda a gente que sou actriz. É isso que sinto que sou e até porque foi isso que estudei, apesar de ter tirado Direito. Fui para Londres durante um Verão estudar, fiz alguns workshops e portanto é isso que sinto que é "a minha praia". E, quando eu digo actriz, não falo só de televisão. Desde sempre que faço teatro e já quando andava a estudar na Lusíada pertencia ao grupo de teatro da faculdade. Claro que esta questão da apresentação acabou por acontecer. Eu encaro a apresentação um bocado por ser comunicativa e gostar de comunicar e portanto acaba também por ser uma parte integrante do ser actriz. Acabo por fazer programas para crianças em que, claro que sou eu, mas tenho que dar um pouco do lado mais infantil ou mais de brincadeira por isso encaro também um bocado como personagem e como actriz.


6. Olhando para a geração de actores em Portugal, é uma geração bem preparada? 
Eu sou sempre a favor de tudo o que dê trabalho aos actores porque sou actriz, porque já passei por alturas sem trabalho e porque lido diariamente com amigos meus actores que não têm trabalho. Portanto sou sempre a favor de tudo o que dê trabalho aos actores. E os Morangos com Açúcar dão trabalho a actores, dão trabalho a técnicos, a maquilhadores, a cabeleireiros e portanto tiveram imensa coisa boa e daí também surgiram óptimos actores. Claro que há sempre actores que não são tão bons. Mas isso faz parte desta indústria, assim como há médicos bons e médicos maus, polícias bons e polícias maus. Por isso ser actor é só mais uma profissão igual a tantas outras que tem a consequência de ser mediática. 

7. Quais são os actores e apresentadores com que mais te identificas e que norteiam o teu trabalho?
Eu acho que o João Manzarra é um óptimo exemplo de um bom apresentador. Ele foi crescendo a pouco e pouco, evoluindo, e ocupou o espaço dele. E, sem dúvida, que nós não temos ninguém como o João Manzarra. Depois, claro que tenho que referir uma grande amiga minha óptima apresentadora que é a Raquel Strada. Acho que ela tem estado a evoluir de programa para programa. Faz rádio, faz festivais de Verão assim como apresenta programas de moda. E ela consegue ter um estilo dela muito próprio em tudo o que faz. Nos actores ainda olho um bocadinho para os que não são da minha faixa etária. A Beatriz Batarda é um óptimo exemplo e o Ivo Canelas. E, dentro da minha faixa etária, a Sara Carinhas que não é tão falada porque não faz televisão mas faz imenso teatro e é uma actriz fabulosa. 

8. Qual foi o projecto que até agora mais te concretizou?
Eu acho que é óbvio que tenho que referir o Diário de Sofia pelo facto de eu ter sido a protagonista daquela série. Eu entrava no estúdio às oito da manhã e saía as oito da noite e é se não fosse mais tarde. Portanto eu vivi aquilo intensivamente e era uma produção low budget com uma equipa muito pequena e muito unida e foi uma experiência espetacular. A nível de tudo, do bom da televisão do mau da televisão e eu aprendi ali muita muita coisa, e portanto é uma experiência que vou levar para sempre. Ainda hoje há pessoas que me chamam de Sofia. E foi uma coisa totalmente inovadora. Era a primeira vez que se fazia um conceito daqueles e foi vendido para o mundo inteiro. Depois há projectos de teatro que me marcaram imenso. Este último projecto que fiz no Teatro da comuna “Os dias voltarão a correr o calendário”. Era uma peça bastante dramática e foi um projecto que me marcou muito.

9. Onde te imaginas daqui a uns anos?
Daqui a uns anos, espero continuar a fazer aquilo que faço. Neste momento estou a fazer de produtora e de apresentadora na Sic K. Mas imagino-me a ser feliz, basicamente a fazer o que gosto. Não sei se vou ser actriz ou se vou ser apresentadora. Eu costumo dizer que acho que a vida é demasiado curta para termos uma só profissão porque gostava de experimentar tantas coisas. Tirei Direito e sinceramente um dia ainda gostava de aparecer num tribunal. Não sei onde é que vou estar daqui a uns anos, quero é estar feliz com aquilo que tenho.

10. E o lado infantil?
As pessoas pensam “tu deves adorar crianças”. Não tem nada a ver com isso. Simplesmente tenho uma empatia e gosto de tratar crianças com a mesma linguagem que se trata alguém da minha idade. Elas percebem exactamente tudo e até percebem muito mais se nós falarmos para elas de igual para igual. Depois há aquela questão de serem um público super honesto e é  por isso que eu gosto imenso de trabalhar com elas. Por serem muito espontâneas, por de repente dizem coisas que nós não estamos nada à espera e por se ter que improvisar com as coisas que eles nos dizem. Acho que também o facto de eu ser quase da altura deles faz com que eles olhem para mim de uma forma “eu posso falar contigo como eu quiser, tu és da minha altura.” Mas gosto de crianças como gosto de outro público qualquer. Neste momento é o meu público e trabalho para eles.


11. E os teus projectos novos? Fala-me também sobre o lado produtora, como está a ser?
Foi uma sorte que eu tive. Um dia tive um convite da Sic K a perguntar-me se eu tinha ideias para programas e acabou por acontecer. Eu espero que isto também sirva às vezes um bocado de exemplo para outros jovens perceberem que há espaço para nós chegarmos ao pé de canais temáticos e apresentarmos projectos. Eu na altura propus a um amigo meu, o Pedro Coelho, que trabalhava numa produtora para ter algumas ideias comigo para apresentarmos. E então criamos este projecto: o Tik Tak e o IK. Projectos muito simples: o TiK Tak consiste em passar o microfone às crianças e elas têm dez segundos para dizerem tudo o que lhes vem à cabeça sobre determinado tema e o IK são perguntas de cultura geral com rasteira. Formatos pequenos de cinco minutos. Agora que já estamos na segunda fase alargou para os oito-nove minutos. Pequenos formatos e coisas divertidas, rápidas, dinâmicas, com cor. Um de puro entretenimento e outro a passar informação. Resultou, eles gostaram e neste momento eu e o Pedro, já abrimos uma empresa, a Manual de Fantasia onde criamos projectos e vendemos projectos à Sic K. E está a correr muito bem! Eu acho que sempre tive um bocado veia de produtora. Organizar coisas. Eu adorei fazer a parte de gestão de contactar e de repente chegar aos locais e ir falar directamente com as pessoas e havia pessoas que ficavam “mas como assim? Tu és a apresentadora!”. E eu sou super apologista de "cada macaco no seu galho", atenção! Mas a questão é que como fui eu que criei os programas eu sei exactamente aquilo que quero. Sei exactamente como é que quero que seja filmado. Como é que quero a pós-produção, como é que quero chegar aos locais e que as pessoas tenham uma certa ideia desta equipa.Nós agora vamos avançar com um novo programa que é o Mundo de Marta. A Marta vai ter um novo amigo que é o Matias, que é um personagem que não é real e que vai andar com a Marta a desvendar basicamente curiosidades que as crianças têm sobre o nosso mundo. Como é que a internet chega até nós, como é que esta mesa chega até nós. Nós às vezes damos as coisas tão por adquiridas na nossa vida que não temos a mínima ideia do trabalho que esta mesa teve para chegar até aqui. E portanto vamos desvendar todas essas curiosidades. Vai ser um programa de mais ou menos quinze minutos, semanal, onde vamos responder às perguntas de jovens adolescentes que tenham curiosidades sobre o mundo que nos rodeia.

13. O que é não pode faltar no teu guarda-roupa no dia-a-dia?
A coisa mais básica do mundo: calças de ganga.

14.Tens algum lema de vida?
Eu tenho um lema que é aproveitar aquilo que temos hoje. Não deixar para amanhã aquilo que posso fazer hoje. Prefiro arrepender-me daquilo que fiz. Mesmo que seja um erro, prefiro saber que não quero voltar a fazer aquilo do que pensar como é que seria se tivesse feito.

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4 comentários

  1. adorava ver "diario de sofia"! que saudades ;)

    (Fraise sur le gateau é agora Voga: vogabyritasoares.blogspot.com)

    beijinho

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  2. adorei ler a entrevista porque era viciada em "diário de sofia" :)

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  3. Que saudades de ver o "diário da Sofia" :)

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  4. Boa entrevista!

    homem sem blogue
    homemsemblogue.blogspot.pt

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