Uma rapariga, um projecto, muitos vestidos: meet BOHO

By segunda-feira, junho 25, 2012 , , , , ,


Define-se como irrequieta, naturalmente insatisfeita e crente naquela história do “plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho”. A Marta é o paradigma das mulheres portuguesas e um exemplo de todas nós, que nos desdobramos para fazer tudo em 24 horas e que não temos medo de nos meter sempre em mais alguma coisa. Além disso, tem uma boa dose de humor, ou não fosse ela da raça das que caem em buracos, vão contra postes e caiem dos saltos altos. E não, não estamos a falar de mim!
Guerreira como conheci poucas, é exemplo de coragem e dedicação. Dorme em cima dos livros para acabar o mestrado, trabalha de dia, namora aos fins-de-semana e é filha e irmã a tempo inteiro, e ainda amiga! Mas mesmo assim, resolveu lançar-se num projecto a solo. Que, diga-se de passagem, tem tudo a ver com ela. Sabem aquelas pessoas que conhecem as promoções, as oportunidades, as lojas das “pechinchas”, ou os restaurantes com verdadeiros manjares a troco de quase nada? Estamos a falar da mesma pessoa, sempre de olho no alvo!
Foi minha colega de trabalho e arrastou-me para o ginásio às seis da manhã! Sim, porque garra e objectivos não lhe faltam e ai de quem não os cumpra ao seu lado! Foi ela também que me fez começar a Pegada Feminina. Se hoje me lêem, a ela o devem. 
Quando me falou do seu projecto fiquei radiante, embora rapidamente assustada com o que se seguiu. “Ser a blogger modelo do lançamento da marca? Oh Marta, tens mesmo a certeza?” Os vestidos ajudaram e a coisa não correu mal, muito por causa da paciência do Diogo.  Convido-vos, por isso, a ficarem atentos à BOHO pois, todos os meses, as peças que vão encontrar valerão a pena! Com a primeira linha, na colecção de Junho, encontram vestidos leves e de Verão. “Amigas amigas, negócios à parte”, resolvi desvendar-vos um pouco mais com uma entrevista. Espero que gostem.
1) Como começou o teu gosto pela moda e o que consideras ter de diferente?
Não sei realmente como responder a esta questão… É o mesmo que perguntarem-me quando comecei a gostar de cerejas ou de ir à praia. Até aos 15 anos tinha a mania que era maria-rapaz. Lembro-me de usar um casaco do meu primo, uns 5 tamanhos acima, com coelhos da Playboy nas mangas. Achava um máximo. Gosto muito de procurar e de usar coisas diferentes. Com a idade fui moderando um pouco as estravagâncias, e a crescente independência financeira fez-me largar, aos poucos e poucos, as compras com a mãe. Comecei a gostar de procurar e escarafunchar tudo nas lojas sozinha. Ir às compras sempre foi a minha forma de me abstrair do resto do mundo, a experimentar coisas que provavelmente nunca comprarei, mas também de me desafiar a descobrir algo realmente espectacular, por um preso irrisório. Às tantas, fui percebendo que o meu armário era composto por duas ou três peças realmente caras (aquelas por que nos apaixonamos perdidamente) e por um sem número de pechinchas de que me orgulhava (e pelas quais também tinha uma qualquer paixoneta, nunca fiz compras sem sentimento). Acho que é isso que me torna diferente, a forma como eu encaro a moda (não gosto da palavra). Para mim sempre foi algo essencialmente divertido, acessível e que mudava de acordo com o meu estado de espírito. Talvez por isso tão depressa compre uns all stars como uns stiletto de 12 centímetros.

2) A tua marca tem uma ligação ao low cost. Explica-nos essa tua preocupação e como pretendes encaixá-la nas peças que vendes.
Infelizmente, sobretudo em início de negócio, os encargos que tenho ainda não me permitiram chegar aos preços que realmente quero apresentar. A ligação da BOHO ao low cost vem da minha própria ligação a essa filosofia, que se reflete no modo como sempre comprei e como acho que se deve comprar: por prazer e sem culpas. Acredito que devemos sentir que o dinheiro foi bem gasto. Dependendo dos materiais, formatos, tipo de sapato e um sem número de outros detalhes (que raramente envolvem a marca), o “bom preço” é relativo. De qualquer forma, gosto de dizer que a BOHO vive em “not too expensive mood” permanente. Relativismos à parte, para o tipo de consumidor com que me identifico – jovem, despreocupado e que compra por paixão – uma oferta de 60, 80, 100 ou 200 euros por peça não faz sentido. Foi por isso que me comprometi, desde o seu lançamento, a nunca exceder o limite de 50€ no preço final, tentando encontrar os melhores (e mais giros) produtos dentro desse valor.
3) De alguma forma procuras também trazer exclusividade à marca. Em que moldes?
Uma das razões porque tanto gosto dos saldos é o facto de, para além de aliarem a componente financeira à compra, serem uma verdadeira caça ao tesouro no que toca a descobrir algo giro, útil e original, que não seja XXL. Acabo por ficar com uma peça que encontrei numa pilha de 200, abandonada e para a qual ninguém olhou. Gosto dessa sensação. Tanto quanto de encontrar algo numa feira de artesanato, único, exclusivo e com um toque de mistério. A ideia para a BOHO é caminhar cada vez mais nesse sentido, de mistura de universos, de mercados vintage com grandes produtores. Não quero com isto dizer que as peças que irei oferecer serão únicas. Apenas que não partirá de mim distribuí-las em grande escala. Não me identifico com isso, retira todo o encontro à compra. Por esse motivo, todas as peças são numeradas e nunca a sua oferta excederá 10 unidades, à exceção de pedidos muito especiais.

4) Quais os factores que diferenciam o teu projecto?
A BOHO não tem nada de inovador. É um negócio online como tantos outros. Mas existe para nos fazer sentir diferentes, para sabermos que não estamos a comprar algo que facilmente vejamos no armário de um colega. Na prática, a marca nunca serão só as roupas que vende, e a ideia é criar parcerias no futuro que me ajudem a concretizar toda a sua filosofia. Quero que as pessoas queiram comprar BOHO mesmo que não estejam especialmente inclinadas para nenhuma das peças disponíveis. Que apareçam e que me digam: Marta, preciso de algo assim e assado. E eu encontro.
 
5) Onde pretendes chegar com ele?
É claro que quero que tenha sucesso. Que gostem, que fiquem satisfeitos com o que compram. Que eu venda! Mas será sempre um projeto que pretendo íntimo, exclusivo e original, mesmo que chegue a um grande número de pessoas. Acho que já disse, e é algo que digo muito, mas BOHO é essencialmente pessoal, por muito que seja comercial.

 6) O que falta à moda ou ao bom gosto em Portugal?
Acho que as pessoas estão demasiado agarradas às marcas. Vejo essa tendência inverter-se um pouco com a minha geração e as seguintes, mas continua a acontecer. Todavia, não acho que falte realmente muita coisa. Andar de metro de manhã, em Lisboa, é assistir a um autêntico desfile urbano, e o balanço raramente é negativo. Acho que somos um povo que arriscamos em termos de vestuário, embora estejamos sempre a dizer o contrário. Surge uma tendência nova e é ver-se logo toda a gente agarrar nela. Tudo bem, seguimos as massas, mas há quem nem sequer o faça, sobretudo quando as ideias são realmente diferentes. A moda muda muito, e é por isso que tem piada. Hoje abomino algo que sou capaz de usar na próxima estação. E isso só mostra que me adapto. Não visto nada que não goste, só porque os outros usam, mas também não deixo de vestir, porque todos vestem.
(Todas as fotografias são da autoria do Diogo Luís, aproveitem para conhecer melhor o seu trabalho, que ele fotografa modelos a sério! E os vestidos são todos BOHO)

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27 comentários

  1. E, como podemos adquirir peças desta marca. Há catálogo? Qual o link do site?
    Adorei!
    beijos.

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  2. Querida Pérola, podes seguir o facebook (https://www.facebook.com/boho.pt. Além desta colecção de Junho, terás todos os meses uma nova. Para já, ainda não há site! Ainda bem que gostaste... beijinhos :)

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  3. a sessão está maravilhosa e o carinho com que escreveste o texto é de salientar :)

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  4. As fotos estão lindas , e os vestidos são fantasticos :)

    Beijinhos

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  5. Ficas-te tão bem :D Parabéns!
    E os vestidos são amorosos...

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  6. Adorei!!


    http://placequotehere.blogspot.pt/2012/06/o-balao-do-sao-joao.html

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  7. Tão gira! ;)

    oneplustwoblog.blogspot.pt

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  8. Adorei as fotos, estás tão gira :)

    Vou já dar um saltinho à BOHO :)

    beijinhos

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  9. Adorei o sentimento presente em ti enquanto escrevias o texto. Espero que a marca tenha imenso sucesso :)

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  10. A colecção é giríssima e a modelo ajuda ;)

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  11. Obrigada Martinha, de coração :) Sabes que a escolha não foi em vão, tinhas que ser a modelo da primeira colecção!

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  12. ficas-te linda Mia! e mais uma vez muitooo obrigado, tenho um sorteio de uma spike bracelet no meu blog :)

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  13. Projecto muito interessante, é bom de ver que há ainda quem tenha a pssibilidade de ser empreendedor neste país. Força e sucesso, a ambas! Obrigada pela visita ao meu blog ;)
    http://fashionfauxpas-mintjulep.com

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  14. love it!!

    xx

    www.aroundlucia.com
    www.aroundlucia.com

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  15. Sim tens razão (quanto ao comentário que fizeste num texto meu) :)
    adorei a sessão linda :)

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  16. Adoro, ficaste muito bem!
    Beijinho
    The Land of Miabelle

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  17. Gira :)

    http://opinioesemteia.blogspot.pt/

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  18. Os vestidos são lindissimos e a modelo também, junta-se assim o útil ao agradável!
    É de iniciativas assim que o nosso país precisa, parabéns!
    Beijinhos!

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  19. Adorei o conceito! Parabéns e muito sucesso, Marta! Mia, que giras as fotos. Parabéns a toda a equipa. Beijinho e bom fim-de-semana, Teresa.

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  20. estás linda linda martinhaaaa! E muito sucesso para a boho*

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  21. Onde se mete o like aqui ;) loool boa Martinha e a toda a equipe um abraço bem apertadinho

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