Pequenas vitórias

By sexta-feira, janeiro 13, 2012


Ontem levámos a avó ao médico. As pessoas velhas retornam ao estado criança, quando atingem uma certa idade. Somos nós que falamos em seu nome e é a nós que o médico questiona. Ela apenas olha, com as mãos sobre as pernas, com ar desconfiado, do alto da marquesa. Os seus olhos ansiosos procuram respostas e interpretações perante as palavras, baixas de mais, para a sua parca audição. Mostra as suas habilidades ao “senhor doutor” mas não gosta das perguntas básicas que lhe são feitas.A demência é normal numa pessoa de 84 anos. É normal que vá perdendo faculdades e que este processo se acelere sempre mais. O que não quer dizer que seja fácil. Para já, a avó voltou para casa bem. E nós felizes com ela. Não pude deixar de sentir uma grande tristeza ao vê-la assim: pequenina, encolhida, animada a ouvir as notícias que lhe transmitíamos em meias palavras. Mas o que mais me fez confusão foi ver alguém, que outrora cuidou de mim, a precisar tanto de nós. Até nas coisas que parecem mais simples. Como andar 50 metros. Para nós, que estamos aqui, esses 50 metros pouco significam mas para ela, como para tantos outros, esses 50 metros representam etapas difíceis de ultrapassar, barreiras limitativas, que os tornam cada vez mais impotentes no curso da vida.

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10 comentários

  1. Não sei como existem pessoas capazes de abandonar os que outrora cuidaram deles, além de revelar uma maldade enorme é também de profunda ingratidão. Choro sempre que vejo reportagens sobre os "nossos velhos" e como tantos deles tem finais de vida injustos e causados pelas pessoas por quem deram tudo. Tira-me do sério e nem sei o que diria se visse os filhos, netos, sobrinhos que permitem que tal coisa aconteça.
    Que tudo corra pelo melhor com a tua avó :)

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    1. Sem dúvida Sara, é mesmo algo que condeno! Obrigada querida, lá carinho ela tem :)

      Beijinhos

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  2. por vezes é triste ser-se velhinho, mas ainda bem que há alguém que cuida deles :)

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    1. É isso Sara! :) Obrigada pelo teu comentário!

      Beijinhos!

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  3. É temos que ser muitos solidários e ter muita paciência com as pessoas mais idosas, afinal, um dia quem nos dera, seremos tbm neaun?!

    To seguindo aqui
    Venha me conhecer tbm:
    www.estilisa.com.br

    Isa
    @BlogEstilisa

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    1. Olá Estilisa! Tens toda a razão! Vou conhecer-te com certeza!

      Beijinhos

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  4. Sei exactamente do que estás a falar. Passei por esse processo com a minha avó materna e é complicado. É tão confuso ver alguém que cuidou de mim como uma 2ª mãe a precisar de mim como uma mãe.
    Enfim este ciclo da vida é muito complicado é como se voltasse-mos para trás, como se fizesse mesmo um circulo que só é interrompido pela morte.

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    1. A minha tb é a materna Katty! Embora seja mau, fico contente por me perceberes... Mas temos que pensar que ao menos estamos ali para retribuir o amor que nos deram...

      Beijinhos

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  5. Esta é a mais pura das verdades. Os papéis invertem-se e para nós é triste, ver aqueles que nos cuidaram, que tanto nos deram, que tanto lutaram por nós dependerem de nós assim. Mas é bom quando eles nos têm. Outros tantos, ou mais, são abandonados. E com isso nunca me conformarei. Enquanto eu existir a minha avó NUNCA ficará sózinha, nem a minha mãe, nem os meus irmãos quando forem/formos velhinhos. E os velhinhos da minha rua nunca morrerão sózinhos em casa, ou pelo menos não serão descobertos apenas dois meses depois. Beijinho.

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    1. Oh querida Coquinhas, gostei tanto do que escreveste! :) Desculpa comentar tão tarde... Que bom que existem pessoas como tu :)

      um grande beijinho

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