Este texto foi escrito entre as 15h45 e as 16h50 de ontem, na praia

By domingo, dezembro 04, 2011 ,

Escrevo-vos da praia. Hoje resolvi dar um passeio comigo, embora a minha cadela esteja aqui pronta a lamber-me e a encher-me de pêlos e de areia. Daqui de onde vos escrevo, parece que tudo ficou com outros tons. Brilhantes, fortes, vivos. Há quem não resista a fotografar, eu contemplo. No entanto, isso não me basta, preciso de à minha maneira sentir que não me esqueço desta paisagem de praia num fim de tarde prematuro, porque de inverno. De fotografar com os sentidos, esta sensação de serenidade, de paz, por isso escrevo. Mesmo com os cabelos despenteados e com os pêlos da Camila por todo o lado a voar, nada parece retirar-me este prazer do sol que me bate timidamente sobre a face e que me faz sorrir ao fechar os olhos para olhar o mar espelhado. A Camila, sorrateiramente, tenta escapar-se da trela para correr até ao mar, e faz-me esborratar o caderno onde estou a escrever. Sossego-a e peço-lhe que espere mais um pouco. Deito-me sobre a areia fria, gosto de a sentir nos dedos. Quando era pequenina a minha mãe diz que eu me fartava de comer areia. Deve ter sido por isso que saí tão aluada. Do meu lado direito tenho um casal que está a olhar para o mar e a projectar sonhos nele como um reflexo dum espelho perfeito da alma. Do lado esquerdo, um pai brinca com um filho quase do tamanho da bola com que  jogam. Mais à frente os surfistas esperam uma onda, mas ela tarda em chegar. Há os que passeiam serenos em grupo e os que passeiam sozinhos. Há os que lá atrás socializam na esplanada, os que embelezam as suas vidas. Há os que como eu, se encontram consigo mesmos. Mas essa espera dos surfistas deu-me que pensar. A espera pela onda perfeita, o saber esperar mais e melhor. Coisa que para mim normalmente é uma palavra que parece não existir no meu dicionário. Espera, esperar. Dar tempo ao tempo. Vou tentar ao escrever este texto imprimir mentalmente estas palavras em mim. Preciso delas mais do que nunca. Já a Camila definitivamente não sabe esperar e vou ter que dar um salto até à agua e correr pelo brilho da espuma sobre a areia dourada. Como diria o Hugo no jogo da Televisão que eu adorava : “Eu, já volto!”

You Might Also Like

4 comentários

Welcome to our website !