Insubstituível

By segunda-feira, novembro 21, 2011

Lembro-me de te ver ao fundo da rua, a querer vingar por entre as roseiras, a espreitar e à procura do sol, enquanto crescias connosco. Lembro-me de te ver já maior com ramos imponentes e com a tua caruma lustrosa, como que a sorrir à nossa entrada, demarcando a nossa casa na rua. E lembro-me do dia em que ficaram apenas ramos. E do barulho da moto-serra intercalado com um vento triste. Foste cortado e todos te choramos silenciosamente. Mas as tuas raízes já estavam tão grandes que qualquer dia iam provocar problemas sérios. Mas custou-nos tirar-te da nossa casa. Eras o nosso pinheiro, embora nunca te tivéssemos dado um nome. Custou-me carregar os teus ramos que vão ser lenha da nossa lareira. E custa-me deixar de te ver no teu lugar. O teu lugar que agora vai ser de uma oliveira, mas que para mim será sempre teu.

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8 comentários

  1. Uma descrição incrível, a condizer com as palavras... Gostei e muito :)

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  2. Só tenho uma palavra para a descrição que acabaste de fazer... Impressionante! ; ) Adorei mesmo!

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  3. Tão lindo o texto :D Parabéns, escrever intensamente é um dom **


    xoxo,
    Iv
    http://www.ivaniadiamond.com/

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  4. Excelente texto, está realmente muito bom! :)

    Kisses,
    Saltos de cristal

    http://saltosdecristal.blogspot.com/

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  5. Obrigada a todos, um grande beijinho!

    Mia

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