Terrible Love

By segunda-feira, setembro 19, 2011 ,



Falar das cores de Londres é um lugar comum, porém obrigatório. Nunca se pode falar desta cidade sem se falar do verde, que sobressai por toda a cidade, contrastante com os tons de cinza e com as chuvas repentinas em harmonia com os tons secos de Outono; sem falar das flores que compõem um equilíbrio paradigmático em cada rua; ou dos autocarros antigos que tal como as fachadas, se mantém intemporais mas renovados no interior; dos esquilos tranquilos e atentos, curiosos e comilões; das lojas sumptuosas, dos mercados de rua, e da simpatia das pessoas; sem falar dos artistas do metro, que não são pedintes, ou que até podem querer ganhar uns trocos, mas que o fazem com trabalho, não se limitando ao seu triste fado.


Mas tudo isso faz parte de uma Londres que não é só minha. É uma Londres que todos alcançam e que todos vivem e, que aposto, sobre a qual tantos já escreveram. Mas aquilo que para mim torna Londres diferente é o facto de não ser simplesmente uma cidade bonita e da sensação que tive da primeira vez que a visitei, ter sido a sensação que até hoje mantenho. E qual foi a sensação, perguntam vocês legitimamente. As cidades bonitas estão por todo o lado mas há cidades bonitas, lindas estonteantes, e há as cidades que são ou não isso tudo, mas onde nos sentimos em casa, onde nos imaginamos a viver, onde fazemos planos e de onde não queremos partir. Há cidades onde nos visualizamos na rua à chuva, nos jardins a namorar, no metro a ler e nos cafés a conversar. Eu gosto muito de Portugal, e sei que mudar-me não faz parte dos meus planos, mas Londres foi o único sítio que até agora foi capaz de me fazer pôr tudo em cima da mesa. Foi a primeira cidade que me fez  sentir em casa, a primeira onde me oriento como se conhecesse aquelas ruas de há anos, onde me divirto com a confusão que alguns refilam. Gosto do caos organizado e intocável, gosto do cavalheirismo (Não houve transporte onde tenha entrado,  que não tivesse um gentleman imediatamente e subtilmente a ceder-me o seu lugar!), gosto dos tons, sim já disse. Mas não gosto simplesmente com um gostar normal. É um gostar de quem se inclui no cenário. E esse olhar é de um sabor completamente diferente.

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4 comentários

  1. Londres é das minhas cidades preferidas, das que já visitei :D

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  2. Ai e eu já estou tão cheia de saudades! ;)

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  3. Tenho um legado londrino em casa. Os meus pais foram imigrantes em Londres durante 11 anos. O meu irmão nasceu lá e eu cá. Apesar disso, conseguiram transmitir-me, involuntariamente, um amor de uma proporção inestimável por aquela cidade. E se o sentimento já existia, as minhas curtas viagens a esse destino fizeram dele uma inevitabilidade na minha vida. Já não vou ser sem Londres. Porque um dia desci a rua ladeada de edifícios adornados de tijolos, ao mesmo tempo que uma brisa fria me sussurrava as boas-vindas àquele que seria para sempre o destino do meu imaginário, não infantil, mas sim imutável. Um dia vou ser em Londres.

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  4. Oh Cris, que bonito, não sabia! Temos que trocar experiências. Adorei, como sempre, o que escreveste! Um grande beijinho

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