Notas soltas de um diário de fim-de-semana

By sexta-feira, setembro 09, 2011 , ,


Desculpem esta minha ausência temporária, mas a minha vida tem andado uma verdadeira agitação. Sim, também é verdade que não seria a minha vida se assim não fosse, mas estas duas últimas semanas têm batido recordes históricos, dignos de entrar para o guiness das vidas atribuladas! Não tenho tido tempo nem para dormir. Sim, também costumo dormir pouco, mas, mais uma vez, nestas semanas a ausência de descanso tem sido flagrante. E querem saber porquê? Bem, então começo por contar que estou a organizar uma surpresa aos meus pais que fazem 25 anos de casados, e a cerimónia é já no Domingo. Não posso explicar o que é porque posso correr o risco que me descubram por aqui, mas depois de Domingo prometo contar tudo.

No trabalho tenho trabalho e mais trabalho e mais trabalho, e podia continuar a dizer "e mais trabalho" até ao fim do texto. Tenho também que ir renovar a minha carta de condução e, antes disso, tenho que ir buscar o famoso cartão europeu de seguro de doença, mais conhecido por CESD, que daqui a duas semanas vou estar em Londres, mas sobre isso escrevo também mais tarde.

Falemos do meu fim-de-semana que foi cheio de emoções, muito boas e muito más, longe de medianismos, sempre ao estilo Mia. Passo a explicar. A Bia, uma cadela do pai do A., teve uma cadelinha linda, linda, tão linda que me custa explicar-vos. E eu nunca tinha visto um cão com apenas umas horas..
(Gatos lembro-me de ver, porque os meus avós tinham muitos, e as gerações da Lady e da sua mãe Julieta tiveram filhos que fui acompanhando e vendo crescer, com muitas arranhadelas à mistura! )

(a Bia com a sua filha)

Enquanto a cadela dava todo o mimo à sua cria recém-nascida, a lambia e mostrava com orgulho, estávamos nós roídos de preocupação, porque as horas passavam e o outro filho não nascia. Assim, no dia seguinte levámo-la ao Veterinário, que disse que o trabalho de parto tinha parado, mas que realmente na ecografia estava lá outro cachorrinho e, se não nascesse, teríamos que a operar. Eu limitava-me a carregar a linda cadelinha, que sem nome, acalmava no meu colo os seus ainda frágeis ganidos. A mãe nem assim parecia sossegar sempre à procura da sua pequena. Infelizmente, esta história teve um desfecho triste e a Bia chorou a morte da sua filha assim como fez tudo para a proteger. Chorei também. E infelizmente o outro cachorrinho já nasceu morto. Mas daqui tiramos que a Bia está bem, e que no resto do fim-de-semana fui até ao Douro respirar a sua calma, acordar ao som dos galos e cozinhar durante horas.

Há todo um ritual naquela casa que me fascina: a importância que a cozinha assume nas suas vidas. Para mim cozinhar sempre foi algo necessário. Ali, cozinhar é um prazer e tem rituais próprios que incluem idas ao mercado e escolhas de vegetais diversos, que depois ganham vida e cor à volta dos tachos. Havia um programa qualquer que se chamava na roda dos tachos, ou algo de semelhante, e ali eu sinto essa roda viva em torno da cozinha e das horas que se perdem com algo que perde, por vezes, tanta importância.

Os fins de semana no Douro ao som do sino e com os seus mil mosquitos são perfeitos. E não são perfeitos porque tudo ali seja perfeito, mas porque ganham uma perfeiçao dos lugares  mágicos como esta quinta o é. A capelinha no alto, os tons dourados do rio que cantam o verde dos pinheiros. As pequenas coisas que no dia-a-dia desprezamos: limões para apanhar, árvores que nascem em sítios inesperados, plantas que crescem, pinhões para apanhar do chão, formigueiros nos caminhos. A natureza tem ali todo o seu esplendor e as horas fogem, próprias dos lugares longe da confusão. Ali, talvez por estar tão longe de Lisboa, tão longe de tudo, fico também longe do  que me preocupa e dou por mim a respirar renovada e profundamente. Sentada perto da piscina, contemplo os últimos raios de sol sobre o rio e ganho forças para a semana que aí vem.. Mas não penso sobre ela, ainda não é o tempo.

Num ápice, estou de volta a Lisboa, mas não sem antes ficar sem cartão de multibanco, e sem perder o autocarro porque estava cheio. Resultado, as primeiras horas da passada semana eram um presságio acertado da semana que me esperava..


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4 comentários

  1. adorei o texto + uma vez mia :) as cozinhas são mesmo um lugar mágico, em casa dos avós então..<3 e cães? se pudesse tinha mil, ainda bem que a Bia está bem, tenho um amigo com uma cadela também chamada Bia, é um nome tão sweet p cachorrinha... <3 <3 <3 beijinhos

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  2. Obrigada Hella! Esta quinta não é dos avós mas é igualmente muito familiar... É giro e fica-lhe bem não é? Beijinhos!

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  3. Espero que a tua vida se acalme um pouco, ainda que noto que assim não seria a tua vida!

    Desejo de maiores felicidades aos teus papás e mais idas ao norte porque fazem super bem!

    Com carinho e atenção a Bia superará a falta da sua filhota!

    beijinhos e bom fim-de-semana! ;)

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  4. Eu também espero! Obrigada e bom fim-de-semana! Beijinhos

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