Eu nunca...

By quarta-feira, setembro 14, 2011



As coisas evoluem e o essencial mantém-se, diz ela. Ontem estivemos juntas, mas já nada parece igual. Agora o noivo vem também, que por sinal até é impecável. Mas o estar juntas de antigamente não vai voltar a acontecer. Eu achava, ingenuamente, que o que é realmente importante fica para sempre. Mas agora o tempo é repartido.  E quando vierem os filhos? Não tenho ciúmes e fico feliz por tudo isto, nao me julguem mal, só me custa esta volatilidade de tudo. Lembram-se daquele jogo em que diziamos “Eu nunca...”.  Ela também achava ridículo usar aliança (das de comprometimento) e agora usa; chamar “amor” e agora chama; esquecer os amigos em função de um nova pessoa e agora, pelo menos, não tem tempo para eles. Não há dúvidas que nunca se deve dizer “desta água não beberei” ou julgar os outros, porque no minuto a seguir estamos a fazer precisamente o mesmo.

Encolho os ombros. Sou eu que realmente vivo num mundo cor-de-rosa, que acredito no amor, na amizade, na felicidade, que acho que as coisas importantes ficam para sempre. Sou parva, cada dia me convenço mais de que só posso ser mesmo é parva! Mas como o meu irmão me disse que leu algures, a distância faz ao amor (e aqui falamos da física e da emocional, e aplicamos não só ao amor, mas também à amizade), o que o vento faz ao fogo. Se o amor for grande, alastra-se e espalha-se e fica ainda mais forte. Se for pequeno, vai-se apagando e esmorecendo nas cinzas.


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9 comentários

  1. Essas mudanças repentinas custam-me a aceitar... Claro que fico feliz pelas pessoas que começam a construir uma vida familiar, é óptimo! Mas por outro lado também entendo o que referiste neste texto... *

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  2. pois, as coisas têm tendência a mudar ao longo do tempo.. é normal.

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  3. Carolina: A mim também me custam, e ainda para mais se demasiado repentinas... Todas as memórias ficam um bocado perdidas por aí sem saber já onde se podem ou devem encaixar. *

    Maria, é normal mas não deixam de nos custar ;) Beijinhos

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  4. Já estive na posição de não ligar a mais ninguém, apenas ligava a uma pessoa...foi terrível e apercebi me disso apenas quando tudo acabou. Onde estão os meus amigos? Perguntava eu. Eles continuavam na sua vida, sempre a tentar ver me e eu não tinha tempo, dizia eu. Foi uma autentica estupidez e mais tarde ou mais cedo acabamos por perceber isso, mas leva o seu tempo. Acredita que não voltarei a fazer o mesmo, não quero perder nada do que construí ate agora. Beijinho

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  5. Ainda bem que te apercebeste, coração ;) E que bom que foste a tempo! Beijinhos

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  6. A vida é feita de lugares ausentes, de distâncias e de memórias. Também adoro reviver as coisas e adorava que elas não mudassem, mas mudam.

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  7. Eu percebo-te Marta.

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  8. Olá Ritinha! Ainda bem, assim não me sinto maluca! Beijinhos

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