Sweet July

By terça-feira, junho 21, 2011 ,



Ontem comecei a ver um filme antigo. Alguns mudariam  de canal a pensar que era uma lamechisse. E sim fez-me soltar uma lagriminha, mas não foi pelo filme, foi porque sinto que as pessoas já não percebem nada do conceito do amor! O filme Sweet November traz alguém que valoriza a vida porque lhe resta pouco tempo, mas eis que onde impunha todas as regras e onde parecia tudo controlado, surge o amor. Gosto da forma como alguém é forçado a sair da vida imediata e rápida. Da forma como os momentos de fuga e escape a essa vida são vividos. Coisas simples, como um mero passear de cães, uma brincadeira de vendas nos olhos... Na simplicidade parece muitas vezes residir a felicidade. Sim, continua a parecer lamechas, mas o filme tem mais. Vemos alguém que quer ser apenas recordada por algo de belo, alguém que prefere ter a consciência de que as coisas tem uma validade.


Depois na minha cabeça criei um fim diferente: por amor ela teria ido aos médicos todos, por amor ele teria ficado... 

Mas tudo isto porque estou farta do egoísmo que Miguel Esteves Cardoso falava, desse amor porque dá jeito, porque fica bem, porque até somos parecidos. Gostei das manifestações de amor que vi no filme, e aconselho os românticos  menos "cómodos" como eu, a apreciar o momento em que Keanu Reeves volta com as várias flores, ou a originalidade das doze prendas, não se importando de celebrar o Natal noutra época do ano. “ (...) Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? (...)

O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe.Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amorque se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado,viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."

E que tal um Sweet July?

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