A Fuga

By quinta-feira, março 17, 2011 , , ,



Tens que largar a mão
P'ra eu sair de pé
Sou o teu anjo e não me vês
Na parte calma do que és

Tens que largar a mão
E sair de pé
Sou o teu anjo a procurar
A parte quente do que vês

Mas há portas por fechar
Com o chumbo a prender
É mais forte do que quero acreditar
E se tudo vai com o vento a escorrer
Não sou eu quem vai lutar agora

Se eu não for quem vai ser
Se eu não for quem vai
Ter o teu melhor
Se eu não for quem vai seguir a tua mão
E levar-te como só
Eu sei



 Tirei uns dias de férias e fugi de Lisboa para o Porto e para a paz do Douro.  Andava presa às rotinas, aos maus hábitos, às pessoas que nos põem muros e que nos bloqueiam. E precisava simplesmente de largar tudo por uns dias, para perceber que as coisas não se partem sem a minha mão. Que as coisas também encaixam sem o meu empurrão constante. Precisava de respirar sem estar contraída e de fugir para ao pé de ti. De perceber como fazemos sentido juntos. De ver como ainda me olhas com a mesma cara de babado, que ainda gostas de mim, que a distância não se perdeu nos caminhos do tempo.

E ali estavas tu, de braços abertos para me curar. Para me fazer dormir como já não dormia há meses, para me fazer comer os teus cozinhados deliciosos longe dos enjoos que me assolavam há semanas, para me tirar as dores de cabeça que não passavam com nada. E precisava de respirar o nosso silêncio cúmplice, de me rir das tuas danças tontas, de sentir a tua barba e os teus beijos e a tua condução "tranquila".

Precisava de fugir para os teus braços. E foi apenas isso que fiz.

Agora, num comboio a caminho de Lisboa, custa voltar.



You Might Also Like

2 comentários

  1. A partilha (confortável) do silêncio é a expressão máxima de cumplicidade entre 2 pessoas ... não é para todos! Bj

    ResponderEliminar
  2. Sem dúvida. O silêncio é o mais difícil de partilhar. Obrigada Mónica, beijinhos

    ResponderEliminar

Welcome to our website !