Cluedo

By quarta-feira, fevereiro 16, 2011 , , , ,



Entrevistei o David Santos do Projecto Noiserv, alguém de um talento indiscutível. O David é um exemplo de alguém que apostou num sonho que sabe ter. Eu tenho sonhos, todos os temos. Mas a dificuldade reside no encontro daquele, “daquele”! O meu Professor de liderança disse que devemos perguntar-nos “onde é que eu fui verdadeiramente bom?” A pergunta assustou-me, como me assustou quando me perguntaram que filme me definia. Assusta-me por vezes não ter respostas tão certas. E assusta-me precisar de as ter.

Todos somos obrigados a ter um talento. A sociedade impôs-nos isso, mesmo que indirectamente. A verdade é que no meu caso, mesmo estando a fazer um mestrado, continuo à procura de mais do que aquelas motivações que tenho, de mais do que uma mera pista. A minha vida não pode ser o Cluedo, sempre à procura de uma pista aqui, uma pista ali e outra acolá. As coisas devem a dado momento fazer sentido, pensava eu, esta manhã no carro, a caminho do trabalho. Claro que sei que a área da comunicação é a área certa, e que não anda longe disso. Mas este é um mundo por demais vasto. E preciso de sentir que “encaixo” em alguma peça do puzzle.

No entanto, isto já me preocupou mais, já me irritou mais. E cada vez mais, me apercebo que a maioria das pessoas também não faz a mais pequena ideia. A uns movem-nos os ideais dos filmes, a outros os sonhos dos pais, a outros algo que eles próprios idealizaram para eles porque não se contentam com esta indecisão, e escolhem portanto, em função do sucesso. E nada disto eu critico, atenção! São opções. E há os que deparando-se com demasiadas opções ou com escassas, e não sendo por isso uns falhados, reparando que têm vários pequenos talentos andam à procura do tal “certo”. Do “dom” que todos devemos ter escondido algures, por despertar. E é por isso que vemos “ídolos” como vemos, envoltos numa pressão medonha que os leva a dizer “é o sonho da minha vida”. Isto vem desde pequenos, sempre que nos perguntam “O que é que queres ser?”. Eu sempre quis ser a Caroline das Marés Vivas. E como não podia ser uma pessoa já existente, dizia sempre “nadadora-salvadora”, na esperança de me tornar numa salva-vidas, ainda por cima sexy e cheia de homens bonitos à volta. Depois, recebi a Barbie que vinha com o golfinho, e a partir daí e como estavam sempre a dizer que os animais gostavam tanto de mim, cedi uma vez mais à tentação: “veterinária”. Ficava tão bem dizê-lo.

Escolhas, de que mais fazemos o nosso caminho? Sei que no dia-a-dia, vou achando as tais pistas que vão completando o jogo, até achar o “criminoso”. Sempre fui a “ovelha negra” da família, a neta cujo curso é “qualquer coisa em política, ou jornalismo” ao lado do primo em medicina, e do outro primo que quer ser cirurgião. Ao menos o meu irmão, no seu bom sentido de humor, costuma responder baixinho “porno star”. E depois diz que não sabe, quando lhe perguntam “O quê?” em estado de choque.

Nada me foi imposto, e sempre escolhi o que achei certo no momento em que tive que decidir. Se calhar a vida pode fazer parte desse caminho de descoberta. De um caminho onde vão estando pistas. (Espero que assim seja, senão as minhas teorias vão sair ao lado e, eis que aí sim, vou ficar realmente preocupada!)

Para mim o ser feliz engloba diferentes níveis e áreas. Confesso que é importante que isso também envolva uma boa remuneração. Dá jeito já agora! Mas deve haver tempo para tudo. Por agora vou tentar ser boa nas decisões que tomei, e que vou tomando, embora saiba que a minha imaginação hiperactiva, me vai levar sempre para outros voos e me vai impedir, sempre, de estar feliz onde estou. Alguns dizem que é exigência, eu subscrevo! Ou então terei que me remeter à tristeza da minha avó quando me diz: “Nem todos dão para doutores.”

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